sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Drifting

Eu sou extremamente apegado à música, e o que me faz lembrar das pessoas são músicas que envolvem momentos específicos, ou até uma música que eu saiba que era a preferida de alguém em determinado momento da vida. Sempre que eu escuto aquela canção, eu lembro dessa pessoa.

Sempre que alguém fala que ouviu Pearl Jam e lembrou de mim, isso me causa uma imensa felicidade, pois é justamente pelo que eu mais gosto de ser lembrado.

A música é quem traduz tudo o que eu sinto e não sei dizer. Às vezes até sei, mas prefiro que a música diga por mim. A música também traduz, muitas vezes, como eu gostaria de me sentir — seja amado, seja protegido, seja triste. Sempre é a música.

Esse blog mesmo traz, desde o seu título principal, como o nome de todos os textos, músicas que carregavam ainda mais coisas do que apenas o que eu escrevi, ou que simplesmente me inspiraram a sentir o que escrevi.

E, pela primeira vez em muito tempo, eu não consigo achar nenhuma música que traga essa tradução de sentimento. Eu não me sinto triste, não me sinto alegre… me sinto vazio.

Internamente, eu sempre fui melancólico, e por fora da casca eu sempre tentei passar a energia da alegria, mesmo que com piadas sombrias. Mas, sozinho, sempre fui triste. Eu me acostumei com esse sentimento, e ele sempre soa repetitivo nas minhas escritas. Mas, ultimamente, eu tenho me sentido apenas vazio. Eu sempre pensei que preferia ficar em uma tristeza extrema do que sentir esse nada que estou sentindo agora.

O vazio, a indiferença, o nada, são os piores sentimentos para pessoas intensas — e eu sou alguém de sentimentos intensos. Eu quero sentir tudo de uma vez; não gosto de doses homeopáticas. Eu sempre gostei do caos. A calmaria me entedia, e eu me sinto ridiculamente entediado.

Vou tomar banho. Estou atrasado para o trabalho. Quem sabe mais tarde eu volto.

sábado, 9 de agosto de 2025

Balada do louco

Quem diz que ir aos lugares sozinho é uma libertação provavelmente nunca foi. Não faz ideia da sensação angustiante que dá ao ver pessoas ao redor se divertindo com seus companheiros e companheiras, seus amigos e amigas, enquanto do outro lado é só você e seus pensamentos.

A potencialização do sentimento de solidão é bizarra e amarga. Impossível deixar de pensar: "Será que vai ser sempre assim agora? Sozinho?"

Não dá para negar que a ideia de não depender de companhia para ir a um show, filme ou viagem é realmente muito boa.

Mas, para alguém como eu, introvertido, que não consegue conversar com estranhos, não dá para transformar isso em uma potencial experiência de conhecer pessoas. É só mais um atestado de que não tenho ninguém.

Tenho experimentado muitos shows, passeios e restaurantes sem companhia alguma, e, se eu pudesse escolher, sempre optaria por ter alguém para fazer as coisas comigo. Mas não tenho escolha. E, afinal, entre não fazer, não ver e deixar passar as oportunidades, é melhor fazer sozinho mesmo.

Escrevo isso enquanto aguardo Ney Matogrosso subir ao palco, com o sentimento de ser a única pessoa sem companhia para ver o espetáculo.

Odeio como minha mente me sabota.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

A Idade da Razão

Hoje foi um dia em que refleti muito sobre as minhas chances. É muito louco como a sociedade determina, de forma tão indireta e ao mesmo tempo tão implacável, quais são as nossas possibilidades.
Estou perto dos 40 anos e sinto que, cada vez mais, será difícil atingir um nível financeiro confortável. Não me sinto no direito de reclamar, especialmente se comparado ao que já vivi, mas isso não quer dizer que seja fácil. Trabalhar tantas horas por dia em algo que não me agrega, que não me dá prazer ou tesão, é desgastante.

Não é como se, amanhã, todas as minhas chances se esgotassem de vez — mas é difícil acompanhar o ímpeto, a gana, a vontade da galera mais nova. É como se eu precisasse encontrar mais combustível para continuar, para reacender o desejo com intensidade... mas não sei onde encontrar essa lenha para queimar.
A cada nova aposta, a cada tentativa que não dá certo, parece que sobram menos fichas. Quando eu era mais novo, a sensação era de que essas fichas eram infinitas. Agora, sinto que restam cada vez menos — menos tentativas, menos disposição para lidar com mais um fracasso.

Isso não é o início de uma crise de meia-idade. É só mais um dia ruim, como tantos outros em que buscar oportunidades e portas abertas parece bem mais cansativo do que, aos 20 anos quando eu não precisava de portas pois eu ia pular janelas. Fazer um projeto dar certo hoje parece bem mais trabalhoso do que recomeçar há 10 ou 15 anos atrás

Talvez eu apenas não esteja sabendo o que fazer ou onde procurar. Às vezes, a gente fica tão afoito que é difícil enxergar um palmo à frente do nariz.
Mas hoje, neste dia em específico, é assim que me sinto.
Acho que só estou cansado mesmo.


terça-feira, 3 de junho de 2025

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Essa não é uma carta de amor...

O amor se constrói com o tempo, e tempo foi algo que não se teve. Essa é uma carta de carinho, uma carta de desejo de querer bem, uma carta sobre saudade, sobre um sentimento que há tanto tempo não sinto.

Essa é uma carta sobre olhar o celular na expectativa de ter uma mensagem. Uma carta sobre um sentimento que há tanto tempo não sinto. Uma carta sobre pensar como e quando será o próximo abraço, pensar se você está se alimentando direito, dormindo direito.

Essa não é uma carta de amor... É uma carta de preocupação, uma carta de querer bem, sobre um sentimento que há tanto tempo eu não sinto. Uma carta de carinho imenso, de querer saber como foi seu dia, de saber se você dormiu bem, acordou bem, se você precisa de algo e se eu posso ajudar.

Essa não é uma carta de amor... É uma carta para imaginar se você sorriu hoje, com esse sorriso tão lindo que faz o dia de qualquer um melhor — inclusive o meu quando lembro dele, quando lembro de você, quando lembro de você falando de forma tão apaixonada e bonita, tão genuína, quando você fala de uma forma tão você.

Essa poderia ser uma carta de amor, mas eu não vim falar de amor nessa breve carta. Vim falar sobre um sentimento que há tanto tempo não sinto e que pela primeira vez, não me faz sofrer por reciprocidade, não me faz internamente cobrar para que tudo esteja nas mesmas proporções. A única coisa que quero é te fazer bem — seja por 1 dia, seja por 2, seja pelo tempo que for. Quero estar aqui não só quando você precisar, mas também quando não precisar — quando você só quiser que eu esteja. Pois eu estarei.

Essa não é uma carta de amor, é apenas um profundo desejo de querer bem.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Simples Assim

 Muitas vezes, as coisas não dão certo — e tá beleza, faz parte. A gente aceita e bola pra frente.

Mas, em outras vezes, aquilo que não deu certo atinge com mais força.  E, além da frustração, vem junto uma tristeza tão forte e intensa que dói. Não falo de uma crise de depressão, e sim daquela tristeza profunda que surge quando algo que você queria tanto — e tinha tanta certeza de que daria certo — simplesmente não acontece. É como se tivessem arrancado esse sonho de dentro da gente.

A fala pode parecer um pouco exagerada, talvez até dramática demais, mas foi exatamente assim que me senti quando alguns planos não deram certo nesses últimos dias. Não consegui chorar, e até demorei pra entender que eu tinha ficado tão triste e abalado com isso.

Vivo, já há muito tempo, sem um propósito claro, sem uma paixão motivadora ou algo nesse sentido — e isso não me incomoda. Aceito que todos os dias são únicos, mas também não posso deixar de pensar que, no geral, todos os dias são... chatos. Estava lendo sobre amor-próprio e como despertar amor pelo que se faz — mesmo odiando o que se eu faço. Refleti muito sobre isso, e percebi que, mesmo quando eu fazia algo que amava profundamente, não sentia amor ao fazer aquilo.

Meu apego a existir é muito limitado. Não falo isso no sentido de querer morrer, mas no sentido de: o que me motiva a continuar vivo? As pessoas que amo, talvez? A próxima viagem de moto? O próximo encontro? Não sei responder. Pela primeira vez em muito tempo, queria encontrar esse tesão por estar vivo, esse propósito, essa ânsia de existir, esse brilho na vida. Queria saber qual é a minha motivação — e não consigo pensar em nada.

Pensei em tentar reatar antigos laços, mas ainda tenho aquele medo de estar incomodando. Queria procurar algo mais, mas, quando penso demais, já não sinto mais tanta adrenalina.
Talvez eu devesse procurar novamente, na escrita, o propósito que perdi — procurar, nos meus pensamentos, algo que estou deixando passar.

Pela primeira vez em muitos anos, me sinto vivo — mesmo sentindo que não estou vivendo. Trouxe monotonia até para minha última aventura. Estava tão cego, sem perceber, que não enxerguei o que deveria ver. Um daqueles momentos raros em que a vida sorri... e eu não sorri de volta, pois preferi desviar o olhar. Isso também me deixou triste.

E, em meio a tudo que pensava e escrevia, só conseguia lembrar do Lenine dizendo:

"E a vida continua surpreendentemente bela
Mesmo quando nada nos sorri
E a gente ainda insiste em ter alguma confiança
Num futuro que ainda está por vir."

Esse texto não teve objetivo, não teve meio nem fim — apenas vários começos. E espero que alguns recomeços também. E, por que não? Alguns meios.
Espero que seja um novo marco. Ou apenas um parêntese que, já amanhã, vou esquecer que abri. E assim ele ficará, como tantos outros: aberto, sem terminar.

sábado, 19 de outubro de 2024

Something Special

 Quando eu comecei a ter crises de insônia, eu escrevia em meus textos: "talvez a madrugada seja para pensar e não dormir". Era uma forma de me consolar por não conseguir dormir, um pensamento para tentar não me sentir culpado por precisar dormir e não conseguir. Sei lá quantos anos isso já faz, 10, 15, 20 anos, e eu ainda me sinto culpado sempre que não consigo dormir. "Poderia ter mexido menos no celular", "não deveria ter tomado aquele refrigerante", "era para ter voltado a malhar hoje".

 Eu larguei a academia com a desculpa da grana, mas a verdade é que perdi a vontade. Ultimamente, a única coisa que eu quero é andar de moto, e olhe lá. Voltei a me sentir triste o tempo todo, com aquela sensação de querer ser amado, mas achando que isso não vai acontecer. Já não sei mais até que ponto eu me fecho totalmente a isso ou se simplesmente acaba não acontecendo. Sinto que eu poderia me esforçar mais, mas a que custo? Quanto da minha saúde mental e da minha paz eu tenho que sacrificar para receber afeto?

 Novamente me sinto cansado de tudo. Existir está voltando a ser um fardo, um fardo pesado demais. Revisito na minha cabeça algumas histórias, penso se deveria mandar uma mensagem e logo desisto. Não quero incomodar, e quando arrisco, parece sempre ser uma perda de tempo. Queria poder estar de mãos dadas com alguém e me sentir orgulhoso de estar com aquela pessoa, e vice-versa. Talvez, no final do dia, eu só acabe me punindo por achar que não mereço ser amado e, de forma involuntária, afaste qualquer chance disso acontecer.

 Não sei o que fazer para mudar. Prometo tentar, mas não posso prometer que vou conseguir, essa é uma promessa impossível de fazer. Mesmo depois do acidente, não consegui sentir aquela sensação de "uau, estou vivo e tenho que viver". Na verdade, o acidente só me deixou mais triste, mais cansado e com dores. "Vai passar", me disseram, só que já me disseram isso muitas vezes, e ainda não passou.

domingo, 18 de agosto de 2024

A Quem Precisar de Mim

Eu queria ter o poder ou a força de transformar uma decepção em potência, de fazer uma mudança, uma revolução interna. A falta de autoestima não me permite; quando sofro uma decepção, eu só fico triste e apático, não consigo reagir, só quero desistir de tudo e ficar abandonado.

Um certo vitimismo interno talvez seja o que acontece, mas simplesmente não consigo reagir. Hoje tive uma decepção comigo mesmo, perdi uma boa oportunidade que poderia mudar minha vida. Fiquei apequenado, sentindo uma infinita vontade de só deitar e deixar a vida passar. No caminho para casa, passei por algumas vitrines espelhadas e vi meu corpo de forma deformada. Mas eu também abandonei a academia e, em vez de ter forças para voltar e me esforçar para ter a mudança que quero, eu simplesmente não consigo.

Eu comecei um novo trabalho que está fritando meu cérebro. Mesmo sabendo que preciso dessa grana por enquanto, só penso em desistir. Tudo, eu penso em desistir, pois no fundo sinto que vai ser sempre só isso: coisas pequenas, pequenos empreguinhos, pequenas mediocridades, e os grandes sonhos ficam cada vez mais distantes, menos palpáveis.

Até da moto que eu queria, já desisti. Tenho uma percepção de mundo que parece que não mereço coisas melhores e me saboto. Culpo o TDAH, culpo a depressão, culpo a ansiedade, culpo o mundo, mas sei que a culpa é só minha e da minha falta de força para reagir, da minha falta de acreditar que mereço mais e que posso mais. Parece que me aceitei nesse lugar pequeno, escuro e úmido.

Não consigo mais prometer minha melhor versão, não consigo mais prometer nenhuma versão. Eu só me sinto triste e ferido.