quarta-feira, 4 de junho de 2025

A Idade da Razão

Hoje foi um dia em que refleti muito sobre as minhas chances. É muito louco como a sociedade determina, de forma tão indireta e ao mesmo tempo tão implacável, quais são as nossas possibilidades.
Estou perto dos 40 anos e sinto que, cada vez mais, será difícil atingir um nível financeiro confortável. Não me sinto no direito de reclamar, especialmente se comparado ao que já vivi, mas isso não quer dizer que seja fácil. Trabalhar tantas horas por dia em algo que não me agrega, que não me dá prazer ou tesão, é desgastante.

Não é como se, amanhã, todas as minhas chances se esgotassem de vez — mas é difícil acompanhar o ímpeto, a gana, a vontade da galera mais nova. É como se eu precisasse encontrar mais combustível para continuar, para reacender o desejo com intensidade... mas não sei onde encontrar essa lenha para queimar.
A cada nova aposta, a cada tentativa que não dá certo, parece que sobram menos fichas. Quando eu era mais novo, a sensação era de que essas fichas eram infinitas. Agora, sinto que restam cada vez menos — menos tentativas, menos disposição para lidar com mais um fracasso.

Isso não é o início de uma crise de meia-idade. É só mais um dia ruim, como tantos outros em que buscar oportunidades e portas abertas parece bem mais cansativo do que, aos 20 anos quando eu não precisava de portas pois eu ia pular janelas. Fazer um projeto dar certo hoje parece bem mais trabalhoso do que recomeçar há 10 ou 15 anos atrás

Talvez eu apenas não esteja sabendo o que fazer ou onde procurar. Às vezes, a gente fica tão afoito que é difícil enxergar um palmo à frente do nariz.
Mas hoje, neste dia em específico, é assim que me sinto.
Acho que só estou cansado mesmo.


terça-feira, 3 de junho de 2025

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Essa não é uma carta de amor...

O amor se constrói com o tempo, e tempo foi algo que não se teve. Essa é uma carta de carinho, uma carta de desejo de querer bem, uma carta sobre saudade, sobre um sentimento que há tanto tempo não sinto.

Essa é uma carta sobre olhar o celular na expectativa de ter uma mensagem. Uma carta sobre um sentimento que há tanto tempo não sinto. Uma carta sobre pensar como e quando será o próximo abraço, pensar se você está se alimentando direito, dormindo direito.

Essa não é uma carta de amor... É uma carta de preocupação, uma carta de querer bem, sobre um sentimento que há tanto tempo eu não sinto. Uma carta de carinho imenso, de querer saber como foi seu dia, de saber se você dormiu bem, acordou bem, se você precisa de algo e se eu posso ajudar.

Essa não é uma carta de amor... É uma carta para imaginar se você sorriu hoje, com esse sorriso tão lindo que faz o dia de qualquer um melhor — inclusive o meu quando lembro dele, quando lembro de você, quando lembro de você falando de forma tão apaixonada e bonita, tão genuína, quando você fala de uma forma tão você.

Essa poderia ser uma carta de amor, mas eu não vim falar de amor nessa breve carta. Vim falar sobre um sentimento que há tanto tempo não sinto e que pela primeira vez, não me faz sofrer por reciprocidade, não me faz internamente cobrar para que tudo esteja nas mesmas proporções. A única coisa que quero é te fazer bem — seja por 1 dia, seja por 2, seja pelo tempo que for. Quero estar aqui não só quando você precisar, mas também quando não precisar — quando você só quiser que eu esteja. Pois eu estarei.

Essa não é uma carta de amor, é apenas um profundo desejo de querer bem.